
Muitos "belorizontinos" (nascidos na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte) conhecem bem ou ao menos já ouviram falar no Presépio do Pipiripau.
Eu o conheci ainda pequena, quando o presépio funcionava no Museu Abílio Barreto, e nunca esqueci desta visita; aqueles movimentos ficaram na minha cabeça para sempre. Há três anos voltei ao presépio, já no Museu de Ciências Naturais, e mais uma vez fui tomada por imenso encanto: o mesmo de quando lá estive aos 5 ou 6 anos.
Acredito que não haja momento melhor para falar do Pipiripau, já que estamos em vésperas do Natal; mas já adianto que o presépio funciona o ano inteiro. Há horários de visitação para vê-lo como teatro, e assistir ao nascimento de Jesus com os maravilhosos e estrondosos efeitos especiais que só quem já viu sabe contar. É inimaginável!
Causos contam que seu criador, Raimundo Machado, um dia começou a fazer seu próprio presépio, porém o achava um tanto quanto sem graça, com aqueles personagens que existiam nos presépios de todo mundo. Apesar de achar o presépio bonito, os personagens ficariam lá por dias, parados, estáticos.
De poucas posses, mas com grande criatividade, coração e emoção, Seu Raimundo começou a modificar seu presépio partindo de personagens costumeiros e que já tinha em mãos, como Jesus, Maria, José e os 3 Reis Magos. Primeiramente ele adaptou cada uma das imagens.
Separando pernas dos corpos e braços, ele criou mecanismos de movimentos simples e autômatos. Daí então, passou a criar novos personagens e cenas. Não convencido com os personagens adaptados, a plástica e os movimentos que estes permitiam, decidiu criar seus próprios personagens e então desenvolveu suas cenas - inspiradas nas próprias vivências mineiras - como a procissão de ramos e o brincar das crianças. O presépio durante toda a vida do autor ganhou movimento e espaço, sendo ampliado continuamente, e atualmente ocupa uma área expressivamente grande.
Os bonecos são bem pequenos, mas bastante compreensíveis e encantadores. A sequência de movimentos, rendeu a construção de uma verdadeira fábrica de movimentos, com um complexo sistema de engrenagens e cordas que de tão "invocados" se tornam uma 2ª atração, que pode visitada depois das apresentações do presépio.
O Pipiripau fica exposto durante todo o ano, porém aconselho aos visitantes que assistam a uma apresentação. A duração é de poucos minutos, mas serão "únicos"! A trilha sonora fica por conta do ranger dos personagens, que fazem um barulho como aquele que deve ser ouvido na marcenaria dos brinquedos do Papai Noel.
E mesmo com tanta modernidade, o Pipiripau nos toca a alma quando são acionados seus movimentos e disparados os efeitos especiais: não há tecnologia que possa substituir a magia do sonho e da emoção!
Referência:
Tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, o Presépio do Pipiripau pertence ao acervo da UFMG desde 1983, embora tenha sido transferido para o Museu de História Natural e Jardim Botânico em 1976. Seu autor, Raimundo Machado, iniciou a construção do presépio, em 1906, logo aos sete anos de idade.
Natural de Matozinhos (MG), Raimundo Machado encantara-se com a magia dos presépios ainda na infância, ao contemplar a pequena representação do nascimento de Cristo numa igreja da cidade. Dali viria a inspiração para a montagem dos próprios personagens e a finalização da obra, que ocupa uma área de 20 metros quadrados e possui 580 peças e 45 cenas.
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Por: Analu Alves
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